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Saturday, 7-May-2005 00:00
Moinhos de vento Sec. XXI
Romaria dominical aos moinhos eólicos em construção na Serra dos Candeeiros. O português é naturalmente curioso. À falta dum bom acidente de carro ou qualquer outra tragédia local de trazer por casa, esquece o hábito de ir ver o mar e ruma à serra para ver de perto os tais moinhos. De qualquer forma também já lá morreram esmagados alguns operários alemães que andavam a montar as estruturas. O português é morbidamente curioso. Portanto, ala que se faz tarde.

Que brilharete quando contar aos amigos “Eh pá, estive lá mesmo ao pé. Aquilo tem 87 metros de altura. Havias de ver. As hélices são maiores que as asas dum avião! Nem queiras saber! Eu ainda disse à minha mulher que aquilo era para testar as asas dos aviões antes de serem postas nos aparelhos. E ela acreditou! Fartámo-nos de rir. Tens que lá ir! Aquilo só visto.”

E os moinhos lá estão – impávidos e serenos.

Se Dom Quixote vivesse hoje, que diria de tão ameaçadores gigantes? “Não vês ali Sancho, uma coluna de monstros prateados? Este é um feito à minha altura!” E arremataria, esporeando o já cansado Rocinante.

Que resultaria de tamanha batalha?

No fundo, não acredito que o engenhoso fidalgo da mancha não visse os moinhos. Para mim, era apenas demasiado tentador não ver os monstros. E havia a curiosidade, que não é uma patente lusitana.

Aliás, todos nós temos um pouco de cavaleiro da triste figura.

O monstro devora-nos a curiosidade.

Ou então o monstro é a própria curiosidade, que se vai alimentando da nossa alma.

Hmmm!…

Digo eu.

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