| Thursday, 5-May-2005 00:00 |
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Rememorizando
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“Nunca voltes aos lugares onde foste feliz um dia” não sei quem disse esta frase, nem em que circunstâncias, mas sinto-a hoje como nunca a senti – está-me no sangue, que a deixa marcada por toda a parte (vai-a deixando escrita pelas minhas veias à medida que vai passando, como um grafitti que ninguém consegue evitar de ler numa parede), tatua-a mil vezes no meu coração a cada nova passagem até da mais insignificante das gotículas da seiva da vida, abrindo caminho, com uma promessa do regresso que nunca foi.
Todavia, eu cá estou outra vez – mais uma vez. Nunca aqui estive, mas juraria que nós já cá estivemos. Sobra muito pouco daquele dia, que talvez nem tenha sido um dia (que talvez até tenha sido uma noite), um dia ou uma noite, que não foi ontem, não é hoje, não é amanhã. Restam apenas os rodados do carro, que já não são do mesmo carro, que já não são do meu carro, que já não são do teu carro – eu era ele, tu eras ela, só que ele era outro, tu eras outra também, já não sei se fomos nós que fomos felizes aqui, talvez tenham sido outros quaisquers, depois partiram e deixaram-nos a cada um de nós fechado dentro do seu próprio mundo.
Reescritas as memórias, rememorizado o passado, fica-me um sabor amargo na boca – talvez ao sabor estranho de um beijo teu.
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