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Saturday, 30-Oct-2004 00:00
2o Festival de Autos Classicos e Sport
Neste sabado tive o prazer de ver as carreteiras DKW roncando bonito!
Seguem textos de Carlos Zavataro e Flavio Gomes.

Abracos aos amigos.
Carlos Egry
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Caros amigos,

Sabado passado, dia 30 de outubro, assistimos ao 2o Festival de Autos Classicos e Sport, promovido pelo Auto Union DKW Club do Brasil em comemoracao aos 25 do clube.

A primeira prova, destinada a carros ate 1300 cm3, reservou-nos a grata surpresa de ver alinhado nada mais nada menos do que 10 carros da marca DKW sendo: 5 carreteras, 1 sedan, 3 Puma e 2 Malzoni.

Alem destes 3 Fuscas (um deles equipado com kit Okrasa), 1 Gordini e 1 Fiat aberto que nao me recordo ou nome. Antes da prova muita polemica em torno do Fusca Okrasa do Luis Salomao. Muita gente especulando que o carro estaria fora do regulamento.

Isso era bobagem porque mesmo que o motor estivesse equipado com o eixo de manivelas de 69,5 mm de curso, o volume final seria de 1295 cm3, portanto perfeitamente adequado ao regulamento desse ano (o do ano passado previa carros ate 1200 cm3).

E que em 2002, no 1o Festival de Autos Classicos e Sport, o Salomao andou muito ate que o motor nao aguentou. Isso incomodou...

Enfim, dada a largada em estilo Le Mans assumiu a ponta justamente o Fusca no. 2 do Luis Salomao, seguido de um Puma e do Malzoni 10 do Eduardo Pessoa de Mello, anfitriao da prova. Em seguida o Fiat aberto, o Gordini, a carretera 13 do Afonso Abrami, outro Fusca, seguido de outro Puma.

As carreteras 6 e 7 da equipe LFC nao conseguiam dar a partida nos seus motores...

Finalmente a carretera 7 do Rodrigo Mendes desperta e ele parte feito um foguete para recuperar o tempo perdido. A segunda carretera (6), pilotada pelo Flavio Gomes ainda nao pegava o que me levou a pensar que lamentavelmente nao iria conseguir um bom resultado.

Um pouco mais a carretera 6 do Flavio Gomes tb pega e o nosso jornalista F1 corre atras do prejuizo. Foi o penultimo carro a largar! Deixo de comentar aqui o que assisti pois espero o depoimento dos pilotos protagonistas do espetáculo, mas o que assisti me deixou bastante feliz:

O Rodrigo Mendes foi passando todo mundo e logo assumiu a ponta. A partir dai­ passou a administrar a corrida com inteligencia sem que se permitisse ser ameacado por ninguem ate o final da prova. Alias o Rodrigo teve que fazer um enorme esforco para levantar o po pois o seu pai e o seu irmao nao se cansavam de sinalizar pedindo para ele maneirar...

O Flavio Gomes, como ja citei anteriormente, o penultimo a largar, tb deu um show: foi ultrapassando os concorrentes e recuperando posicoes durante toda a prova. A poucas voltas do final conseguiu assumir a segunda posicao fazendo assim a dobradinha da equipe.

A equipe toda esta de parabens por duas razoes:

Em primeiro lugar salvaram a festa do Auto Union DKW Club do Brasil na medida que colocaram seus DKWs na primeira e segunda posicoes. Em segundo lugar demonstraram conseguir atingir um padrao admiravel de qualidade na preparacao de seus carros.

Quem assistiu as primeiras provas da categoria em 2003 ira se lembrar que as carreteras simplesmente andavam pouco e quebravam muito. A mudanca de equipe parece que mudou o estado de coisas provando que eles estao no caminho certo. Foi bonito assistir a outro DKW que nao o antigo 14 passar zunindo na pista de Interlagos.

Faco votos que consigam melhorar ainda mais seus carros, talvez com uma relacao de marchas mais aprimorada para o circuito (parece que a carretera 6 ainda tem um escalonamento de marchas normal de serie). Aguardo o depoimento inside do nosso campeao Flavio Gomes!

Carlos Zavataro
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Zavataro e amigos

De fato foi uma festa bacana e posso dizer que nossa equipe, comandada pelo sr. Finotti e seu filho, o Nene, teve todo o esforco recompensado.

A corrida foi exatamente como descreveu o Zavataro. A largada Le Mans exigia que todos os pilotos atassem os cintos antes de largar. No meu caso, atrapalhei-me muito. Como e um carro de corrida, o cinto eh de 5 pontos. Perdi muito tempo nisso, porque de capacete nao da para enxergar o fecho. Foi tudo na base do tato, e imagine a tensao nessa hora... Normalmente, numa corrida, eh um mecanico que nos amarra no carro.

Nao queria cometer nenhuma irregularidade, por isso tentei, o mais calmamente possi­vel, sair amarrado. Quando fechei o cinto fui a partida. Precisei ligar e desligar a bomba eletrica duas vezes, com medo de afogar o carro. Ate que nao demorou muito, e finalmente larguei. Mas 13 carros ja tinham ido embora!

Fazia muito calor e a preocupacao com a temperatura da agua era grande. Rapidamente meu termometro cravou nos 100 graus, e de la nao passou porque nao tinha mais para onde ir! Mas estava orientado pelo meu preparador, o Ricardo, a enfiar o pe sem medo. Foi o que fiz.

Claro que largar em ultimo e um enorme handicap. Sabia que o Rodrigo seria inalcancavel, porque vira regularmente na casa de 2min35s em Interlagos, tempo que meu carro nao atinge, acredito, por ter cambio de carro de rua (o dele eh de Malzoni, o que ajuda bastante). Alem disso, o Rodrigo tem quilometragem nesse carro, e vem guiando muito bem. Meu melhor tempo ate sabado tinha sido 2min43s. Nao sabia o que renderiam os Pumas e Malzonis (nao tinha referencia nenhuma), nem o 14 dos Klinchem, nem a carreteira (maravilhosa) do Abrami. Da mesma forma, o Fusca do Salomao e o Gordini do Cassari, por estarem afastados das pistas havia algum tempo, eram incogintas.

Restava acelerar. Foi o que fiz, tentando nao cometer erros. Ja na reta oposta passei tres carros, claramente mais lentos que os nossos. Entre eles o verde # 14, uma surpresa. Achei que estaria em melhor forma, a julgar por 2002. O Rodrigo, quando apontei na descida do Lago, ja aparecia no Bico do Pato, o que confirmou minha tese de que vencer, soh se ele tivesse algum problema.

As cinco voltas seguintes foram de aproximacao. Havia um grupo andando junto, e quando cheguei nao tive grandes dificuldades para passa-los: o Gordini, um Fusca branco, o Malzoni do Eduardo, dois Pumas. Logo depois, a carreteira do Abrami. O La Pietra, de outra carreteira, virava tempos semelhantes aos meus, mas tinha largado muito na frente. Para minha sorte, teve algum problema, foi aos boxes, e quando voltou nao tinha mais como recuperar o terreno perdido.

Demorou para enxergar o Fusca do Salomao e o Seata, motor Corcel 1.4. Estavam andando proximos, num bom ritmo. Mas meu carro passou a render mais do meio da prova para a frente. Demorei um pouco a me acostumar com algumas referencias novas de asfalto em Interlagos, ja que a pista foi recapeada para a F-1 e estava bem escorregadia. Alem disso, minha quarta marcha escapava na freada para a curva do Lago, me fazendo contorna-la com uma mao soh, a outra segurando a alavanca do cambio, e na segunda perna do S do Senna, onde tinha de fazer a mesma coisa. Mas isso nao significava muito nos tempos de de volta. Acabei virando 2min41s na minha melhor, acima apenas do Rodrigo, que fez 2min36s na melhor dele.

Quando cheguei nos dois, negociei com tranquilidade as ultrapassagens. Ambos foram muito leais e corretos, percebendo que meu carro estava mais rapido. Passar o Salomao foi legal. Nao por ganhar a posicao, mas por termos nos encontrado na pista, em plena disputa, pela primeira vez em quase 20 anos que o conheco. O cara eh bom, pilota pacas, tem historia, e eh meu maior incentivador.

Foi otimo ver o pessoal da equipe na mureta dos boxes comemorando, por isso fiz questao de passar com o carro devagar bem perto deles. Nao sabia a minha posicao, mas intuía que tinha chegado em segundo (nao tinha certeza ainda dos problemas do La Pietra). Quando vi a festa, percebi que tinha sido segundo mesmo.

Claro que uma dobradinha eh sempre um resultado excepcional, ainda mais depois do trabalho todo que tivemos neste ano para acertar nossos carros. Especialmente o meu, que tinha problemas cronicos de motor. Agora vamos ver o cambio, usar pneus mais adequados, e acho que vamos melhorar ainda mais.

Como disse o Zavataro, importante foi ver que nossos carros melhoraram e nao quebraram, a performance foi aprimorada. Eh resultado do esforco de todos, que nunca desistiram do trabalho e nunca abriram mao de preservar a marca e suas caracteri­sticas. Para quem gosta de DKW, acho que foi mesmo muito bacana ver o desempenho de todos na pista. Se nao andamos como a turma da Vemag nos anos 60, talvez nem perto, estamos nos esforcando para conseguir, dentro de nossas limitacoes.

Parabens a todos, ao Eduardo pelo evento, aos demais participantes, e obrigado pela presenca dos que vieram de longe como o Froes, o Helio, o Aranha, o Zavataro e muitos outros.

Flavio

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