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Friday, 25-Jun-2004 00:00
Magia Negra & Feitiçaria Pt. II-III
Um praticante de magia negra pode usar, para determinados desígnios, apenas seus poderes interiores; ou pode conjurar espíritos, demônios e outras forças externas; ou valer-se de disfarces, palavras e gestos; “armas” como a vara mágica e os “filtros”.

As preparações conhecidas como filtros, ou porções mágicas, podem ser baseadas em sangue, ervas, folhas e raízes de plantas, partes de animais ou de seres humanos. Outros dispositivos incluem papéis com inscrições e símbolos, nós atados em fieira, pedras, dentre outras possibilidades.

Às vezes alguns ingredientes são de fato perigosos, como por exemplo, a peçonha de serpentes. Em outros casos, como no do sangue de morcego, o único mal parece residir na sinistra conotação.

Seja como for, nada disso atua por si. É preciso haver uma conexão qualquer entre a vítima e o encantamento. Aparas de unhas ou cabelo, peças de roupa e outros artigos de uso pessoal supostamente retêm algum eflúvio místico da pessoa.

Coisas menos tangíveis também servem: nome, pegada e/ou sombra da vítima. O Grimorium Verum, manual francês de magia, do século 18, ensina que se pode lançar um feitiço sobre alguém, fincando na pegada da vítima um prego retirado de um velho caixão de defunto. O ato deve ser acompanhado de certas palavras, inclusive uma paródia blasfema do Pai Nosso: “Pai Nosso, que estás na terra”. Crava-se o prego e ordena-se: “Faz mal a fulano até que eu te remova”.

Onde não houver vínculo natural com a vítima é preciso cria-lo. É a mesma teoria do despacho: deixar o mal no caminho da pessoa visada, ou em sua casa.

Palavras, quando impregnadas do poder do feiticeiro, são recursos tidos como altamente eficazes. Entre os Maori da Nova Zelândia, certas palavras mágicas são dotadas de força própria e, por isso, nunca podem ser alteradas pelos iniciados.

A conexão com a vítima tem a função de conduzir até ela o encantamento emitido ou conjurado pelo feiticeiro.

Por meio de mímica, palavras e gestos, o mago estimula sua própria fúria íntima, ou ódio, ou luxúria até um nível frenético; a energia dessa excitação emocional é então externada e dirigida contra a pessoa visada.

Feiticeiros primitivos, assim como os de países civilizados, golpeiam o ar com facas, espadas e outras armas, numa atmosfera de frenesi, como se todas as forças malignas do universo convergissem para o mágico, que então dirige esse feixe invisível contra a vítima, de modo a lhe causar lesões nas partes imaginariamente atingidas pelos golpes.

Na Europa, os feiticeiros desempenham a cerimônia dentro de um círculo, símbolo de um território fantástico, no qual se confinam e se concentram os poderes invocados. Se esses poderes efetivamente se originam do próprio feiticeiro, ou de agentes externos, é coisa muito discutida.


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