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Thursday, 24-Jun-2004 00:00
Magia Negra & Feitiçaria I-III
A magia tenta utilizar forças que a maioria não consegue controlar nem aceitar como reais. A magia negra está orientada para o mal, embora, às vezes, para meras trivialidades malignas: em 1645, em Suffolk, Inglaterra, uma bruxa chamada Alice Warner confessou haver mandado maus espíritos infestarem com piolhos duas outras mulheres. E o tribunal verificou que as vítimas eram, de fato, piolhentas.

Mas a magia negra tem sido acusada de verdadeiros crimes, como devastação de searas ou rebanhos, estupros e homicídios. O objetivo supremo do grão-mestre da magia negra é assumir o controle total do universo, tornar-se Deus.

O poder orienta o praticante de magia negra. Ele enaltece a dominação, a crueldade, o ódio, a luxúria, todas as emoções ferozes e intensas que envolvem o medo e a destruição. Para ele, são desprezíveis os valores da humildade, simpatia, gentileza abnegação, gratidão.

Os praticantes de magia negra atualmente são poucos e dispersos. Mas a relutância geral em acreditar no acaso faz muita gente admitir que certos acontecimentos nefastos sejam causados por magia maligna. Magia negra, portanto, abrange as práticas de alguns feiticeiros e também o campo muito maior das relações ilusórias com o sobrenatural.

A magia negra é anti-social, oposta aos valores instituídos, do contra. Nas colinas de Ozark, Estados Unidos, a cerimônia de iniciação de uma bruxa termina com a recitação do Pai Nosso às avessas. Em 1932, na França, um jornalista (William Seabrook) encontrou uma boneca, crivada de alfinetes e borrada com sangue de sapo, um artifício destinado a causar a morte de alguém. Junto à boneca havia uma Bíblia com um crucifixo invertido, no qual o sapo havia sido crucificado com a cabeça para baixo. Sacrilégio combinado com símbolos invertidos é um recurso típico da feitiçaria.

A principal acusação contra as bruxas é a de haverem feito um pacto com o demônio para subverter a ordem do universo, numa rebelião contra Deus. Essa concepção é comum na Europa, mas também aparece fora da tradição cultural européia.

Os índios Navaho dizem que, para obter poder, o bruxo deve matar um de seus irmãos mais novos. Nas tribos Logo e Keliko, do Congo, ocorre a crença de que as bruxas andam de pernas para o ar. E as bruxas dançantes de Kaguru, da Tanzânia, efetivamente se deslocam equilibradas sobre as mãos, e a pele negra branqueada com cinza.

Um repertório de perversões acompanha o quadro. Bruxaria e lesbianismo estão associados na cultura Azande, da África. Os Mandari, do Sudão, dizem que os magos praticam homossexualismo, bestialidade e pedofilia. Na Europa, as bruxas sempre foram acusadas de toda sorte de aberrações, praticadas entre si e com os demônios. Palavras como anormal, sujo, indecente, são usadas freqüentemente para qualificar seu comportamento.

Aleister Crowley, um famoso feiticeiro, realizava rituais perversos com homens e mulheres, nos quais os excrementos humanos tinham uma participação importante.


Sobre as imagens: o bode de Mendés, Eliphas Levi (1); artefatos utilizados em rituais de bruxaria (4); a estrela flamejante, magia branca (5); Aleister Crowley (6).


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