As formas de manifestação de fantasmas são variadas, mas as razões da volta dos espíritos ao mundo dos vivos parecem se limitar a poucas, que não variam muito, na atualidade, daquelas enumeradas por sociedades primitivas. Fantasmas podem voltar ao nosso mundo, por pura maldade: vampiros, uma espécie de redivivos, voltam só para praticar o mal, como é o caso de muitas feiticeiras.
Há relatos de fantasmas que voltaram para um fim determinado: um fazendeiro norte-americano tirou os anéis da esposa morta, pouco antes do enterro. Quando se casou de novo, a nova esposa acordou aterrorizada durante a noite, porque a morta voltara e lhe estava tirando os anéis dos dedos, de forma raivosa. Dizem que Josefina voltou a Napoleão, quatro dias antes de sua morte.
Uma figura ancestral também pode aparecer, como é o caso do padre negro, que aparece para anunciar a morte de uma pessoa, na família de Lord Byron. Muitos voltam, segundo outros relatos, para cumprir promessa feita quando vivos – para relatar o que é a realidade após a morte. Alguns o fazem em forma de mensagens.
As explicações para as aparições são diversas: os psiquiatras tendem a dizer que elas são fruto da mente conturbada. Mas, outros não aceitam uma explicação tão simples. William James, por exemplo, procurou inclusive explicações em termos de percepção extra-sensorial, como telepatia, clarividência e etc.
Mesmo depois de anos de estudos, não se chegou a nenhuma conclusão definitiva sobre aparições: muitos dizem que se trata de simples alucinações. Muitos estudiosos de ciências ocultas preferem dizer que se trata do “ser astral”, que cada pessoa possui e que viaja pelo espaço astral, aparecendo ou não. Dize, que se trata de emissões psíquicas, parecidas com emissões radioativas, ms imateriais. Essas partículas são chamadas psicons e a teoria diz que permanecem nas casas, nos locais onde a pessoa viveu. E, da mesma forma, explicam os trens, os animais-fantasma: toda matéria tem esse poder.
Muitas teorias, racionalmente aceitáveis quando se trata de aparições de vivos, dificilmente podem ser aplicadas a fantasmas.
Se se aceitar a teoria de que aparições podem ser projeções psíquicas, corpos astrais ou seres etéreos, tem-se que aceitar que podem vir dos mortos. E daí a conclusão de que a mente pode atravessar também a barreira da morte. E haveria, então, a prova da existência após a morte. Contudo, nenhuma conclusão é inteiramente satisfatória, restando sempre o mistério em tudo. Isso porque, até aqui, nenhuma explicação conseguiu abranger todos os diferentes casos de relatos sobre fantasmas, espíritos, aparições.
Parece, pois, que o assunto fica em aberto até que, de alguma forma, o homem possa descobrir o que transpira após a morte. Enquanto isso, os que virem ou sentirem coisas inexplicáveis vão chamando isso tudo – por imposição da tradição – de fantasmas.
Essas experiências não estão limitadas a místicos ou pessoas especiais: podem acontecer a qualquer um, mesmo ao mais racional e fleumático ou teimoso dos homens. E quase ninguém, após viver uma experiência dessa natureza, conseguirá manter-se descrente. Nisso tudo há um imenso mistério, que o homem ainda não conseguiu desvendar: um mistério que continua o mesmo, no mundo sofisticado de hoje, como se ainda estivéssemos no estágio dos homens das cavernas, que penduravam amuletos na entrada, para impedir que entrassem os maus espíritos.
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