Want to share this Foto on another web-site or blog?

Paste one of the following lines in to your site, blog or profile page..

Script:

HTML (for myspace, bebo etc):

BBCode (for message boards/forums):
[ View the Fotopage entry | View the complete Fotopage ]


3
Mail this Foto to a friend



< Previous

Next >
[ View the Fotopage entry | View the complete Fotopage ]


Monday, 21-Jun-2004 00:00
Fantasmas Pt. I-III
Acreditar em fantasmas significa, para muitas pessoas, aceitar a alma dos mortos envolta em lençóis e correntes que se arrastam, com gritos, gemido e ruídos aterrorizantes, nas ruínas de um castelo qualquer. Essa caricatura foi gerada por filmes de segunda categoria e histórias em quadrinhos. Continua a existir, apesar de muitas gente testemunhar a visão de espectros muito menos dramáticos.

Uma família inglesa, por exemplo, foi mudada de uma casa, pelas autoridades, em defesa de sua saúde: o chefe da família via um homem parado na escada, onde não havia homem nenhum, e a filha do casal via luzes esquisitas andando por seu quarto. A casa tinha apenas dois anos de construção. O padre benzeu o local, e o respeitável jornal inglês Guardian deu a notícia sem qualquer ironia.

É possível que os fantasmas sejam decorrência da necessidade universal de assegurar a cada pessoa uma existência depois da morte. Por todos os tempos, naturalmente, fantasmas fizeram parte da religião: a religião encerra a segurança de que há vida depois da morte e os fantasmas são os espíritos dos mortos.

Desde os habitantes das cavernas já se enterravam os mortos com alguma cerimônia, o que quer dizer uma forma de crença na existência depois da morte. Quando os ancestrais são reverenciados, tomam posições semelhantes a deuses, com poderes sobrenaturais num mundo sobrenatural. Os mortos são vistos como protetores dos vivos, interpondo seus poderes entre eles e os elementos malignos sobrenaturais.

Há uma crença negativa que afirma que os fantasmas e espíritos podem punir os vivos, com calamidades e infelicidades, se não forem feitas oferendas e preces. Se isso ocorre, é porque alguém irritou os espíritos e um ritual de apaziguamento é levedo a efeito.

Muitas tribos primitivas – algumas das selvas da América do Sul – acham que todos os espíritos são vingativos e precisam sempre ser acalmados. Algumas vezes, é mais uma defesa que apaziguamento: objetos de magia, por exemplo, são postos na casa de um morto, para manter o espírito a distância. Ou então, o corpo é enterrado de tal forma, que seu espírito não possa encontrar o caminho de volta.

Os fantasmas – acredita-se – têm pouco senso de direção: até há pouco tempo, o corpo de criminosos enforcados ou de feiticeiros executados eram enterrados em encruzilhadas, para confundir seus fantasmas.

Sociedades mais complexas acreditam numa distinta divisão entre o mundo humano e o mundo dos espíritos. Crêem que os espíritos almejam os lugares de paz eterna, como os Campos Elísios, o Valhalla e etc. os espíritos que vagam pelo mundo seriam os que ainda não conseguiram entrada nos lugares de paz eterna: almas de assassinados, cujo assassino não tenha sido punido, como o pai de Hamlet (na peça Shakespeare); almas daqueles cujos corpos se mantiverem insepultos ou foram incorretamente sepultados.

Ainda há casos assim: Harry Price, famoso “caçador de fantasmas”, inglês, afirmou que o fantasma que aparecia na reitoria de Borley desapareceria assim que fosse dado enterro cristão aos ossos encontrados no subterrâneo do mesmo lugar.

Essa crença indica outro fato: o de que deve haver alguma forma de ligação entre o corpo e o espírito. E isso é reforçado pela crença geral de que a violação de sepulturas sempre traz alguma forma de vingança por parte do espírito.

Uma idéia interligada também surge aí: os fantasmas, que vagam pelo mundo, cumprem punição, pois ainda não conseguiram entrar nas regiões de paz eterna. As sombras de criaturas que foram más continuam no meio dos vivos, porque não conquistaram o direito à paz eterna.

Não é à toa que tantos espíritos são tidos como malignos, e que gemidos, gritos e sons de correntes são associados a eles, como para reforçar a idéia de sua falta de condições para chegar ao descanso eterno. Há muito poucas lendas – antigas ou modernas – nas quais o espírito está feliz por permanecer entre as fronteiras dos dois mundos.


© Pidgin Technologies Ltd. 2008.